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segunda-feira, 31 de maio de 2010

CONCEITOS BÁSICOS: medidas dos intervalos

A determinação dos intervalos eletrocardiográficos, como a medida da frequencia cardíaca (FC), duração da onda P, do intervalo PR, do complexo QRS e do intervalo QT, além da determinação dos eixos elétricos, é uma etapa importante para a interpretação do ECG. A duraçao dos intervalos pode ser feita em segundos ou milessegundos (1 s=1000 ms). Na configuração mais comum do traçado(25 mm/s;1 mm=10 mV  ;1 mm= 0,1 mV), um quadrado pequeno tem duração= 0,04 s ou 40 ms.

1. DETERMINAÇÃO DA FC:
Pode ser feita por uma das seguintes regras: “Regra dos 1500”: A frequencia cardíaca é obtida pela divisão de 1500 pelo número de quadrados pequenos-qp (0,04 s, no ECG feito em 25 mm/s e 10 mm=1 mV) existente entre RR consecutivos (intervalo RR).
“Regra dos 10 s”: nos eletrocardiógrafos de 3 canais, o canal de ritmo (“DII longo”) apresenta 10 s de duração (50 quadrados de 0,2 s), então a frequencia cardíaca média pode ser aproximadamente obtida pelo número de intervalos RR em DII multiplicado por 6 (10 s x 6=60 s).
2. CÁLCULO DO QTC:
O intervalo QT é medido do início do QRS ao final da onda T e engloba a despolarização e repolarização ventricular. Deve-se considerar a derivação onde o QT apresenta o maior valor, comumente V2-V3. O QT deve ser corrigido pela frequencia cardíaca (QT corrigido ou QTc), já que a sístole elétrica aumenta com a diminuição da frequencia cardíaca. A fórmula de Bazett, embora sujeita a críticas, é a mais empregada:
QTc=QT medido/√RR, ou pela fórmula derivada:
QTc=QT x √(FC/60).(QT medido multiplicado pela raiz da razão FC (=1500/número de qp)/60.
Como exemplo um traçado que apresenta os seguintes intervalos:
Intervalo RR=22 quadrados pequenos (qp)=22 x 0,04=0,88 s.
QT medido=9 qp=9 x 0,04=0,36 s.
QTC=0,36/√0,88=0,36/0,94=0,38
OU PELA FÓRMULA DERIVADA: QT medido x √(FC/60)=0,36 x √(68/60)=0,36 x √1,13=0,36 x 1,06=0,38.
A FC NO CASO=1500/22=68 bpm.
3. VALORES NORMAIS NOS ADULTOS
a.ONDA P: duração < 0,12 s (3 qp)e amplitude < 2,5 mm.
b.INTERVALO PR: de 0,12 a 0,20 s.
c.INTERVALO QRS: varia de 0,07 s a 0,11 s. Deve ser realizada do início ao término do complexo, na derivação onde apresenta maior duração, usualmente V1 a V3.
c. QTC: menor do que 0,45 nos homens e menor do que 0,46 nas mulheres.

QUAL É O DIAGNÓSTICO 1?


O ECG SEGUINTE É DE UMA PACIENTE DE 24 ANOS, QUE FOI INTERNADA NA UTI. PORTADORA DE NEOPLASIA MALIGNA, APRESENTOU DISPNÉIA, EVOLUINDO COM INSUFICIÊNCIA RESPIRATÓRIA, COM NECESSIDADE DE VENTILAÇÃO MECÂNICA. QUAIS AS ALTERAÇÕES ENCONTRADAS? QUAL O DIAGNÓSTICO PROVÁVEL?

domingo, 30 de maio de 2010

ECG COM DISCUSSÃO 1


ECG de mulher jovem (35 a) com queixa de disponéia aos médios esforços e dor torácica. Quais as alterações encontradas? Discutiremos as possibilidades diagnósticas.
O traçado mostra ritmo sinusal, FC de cerca de 80 bpm, eixos de P e QRS normais no plano frontal. Intervalo PR=0,16 s e QRS=0,11 s. Presença de critários para HVE: voltagem (Sokolow positivo: SV1 + R V5 ou V6=15+30=45 mm, positivo se >=35 mm) e padrão de strain (depressão levemente convexa do seg ST associado a ondas T invertidas e assimétricas em precordiais esquerdas-V5 e V6). Além disso, observamos onda R grande em V1-V2, sem configurar um R/S >= 1 em V1, mas com evidente aumento da amplitude do R em relação ao padrão normal (rS).
O padrão de HVE com strain evidente ocorre em condiçãoes que cursam com sobrecarga do ventrículo esquerdo (HAS, na estenose aórtica) e miocardiopatias (dilatada, hipertrófica). Acho que estes devem ser o diagnóstico diferencial neste caso. A idade da paciente associado a ondas R grandes em precordiais direitas é compatível com o diagnóstico de cardiomiopatia hipertrófica, confirmado pelo ecocardiograma. Trata-se de uma doença do miocárdio, que caracteriza-se por apresentar hipertrofia, comumente, assimétrica do miocárdio ventricular, geralmente com predomínio no septo interventricular (SIV), com ou sem obstrução dinâmica de via de saída do VE,sendo determinada geneticamente e com frequente evolução com morte súbita, constituindo a principal causa de morte súbita em jovens durante o esforço físico.
O eletrocardiograma é alterado em aproximadamente 90% dos pacientes com mioc hipertrofica. As alterações freqüentemente descritas são: sinais sugestivos HVE, como alta voltagem em derivações esquerdas, ondas Q anormais e alteração da repolarização ventricular (inversão de T). Distúrbios de condução intraventricular, arritmias e áreas eletricamente inativas são menos freqüentes no eletrocardiograma de repouso. Ondas Q patológicas podem ser registrada, bem como ondas R grandes em V1-V2, em virtude do aumento do vetor septal.

sábado, 29 de maio de 2010

Blog de Eletrocardiografia

Este BLOG tem como objetivo discutir assuntos relativos à ELETROCARDIOGRAFIA, incluindo tópicos sobre o assunto, casos clínicos, traçados interessantes, entre outros.
Apesar do grande desenvolvimento tecnológico nos métodos diagnósticos empregados na Cardiologia, como os métodos de imagem (ecocardiografia, tomografia computadorizada multislice, ressonância magnética do coração), o eletrocardiograma (ECG) de 12 derivações continua a desempenhar um papel importante devido a sua simplicidade, baixo custo, ampla disponibilidade e por fornecer importantes informações na prática médica, seja para o para o diagnóstico, prognóstico e planejamento terapêutico. Além disso, diversos métodos diagnósticos são derivados da eletrocardiografia, como o ECG de esforço (ergometria), o Holter, o ECGAR, etc. O eletrocardiograma foi o primeiro método diagnóstico a ser usado na cardiologia e continua a ser o mais amplamente realizado, enquanto vários métodos diagnósticos "antigos" entraram em declínio e são raramente empregados hoje, tais como a fonomecanocardiografia e a vetocardiografia.