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sexta-feira, 20 de maio de 2011

CONCEITOS BÁSICOS: O ECG NA HIPERCALEMIA

Os níveis elevados de potássio (hipercalemia: > 5,5 mEq/) inativam os canais de sódio, reduzindo a velocidade de condução. A hipercalemia causa alterações na onda P, no QRS e na repolarização ventricular. A insuficiência renal é a condição clínica mais importante associada a hipercalemia.
Este é o distúrbio eletrolítico que mais frequentemente causa alterações no ECG.
No paciente com insuficiência cardíaca a hipercalemia é relativamente comum em virtude da associação com disfunção renal e pelo o uso de drogas que elevam os níveis de potássio (inibidor de ECA ou bloqueador do receptor da aldosterona e espironolactona), conforme já citamos.

Principais alterações eletrocardiográficas na HIPERCALEMIA:

• Onda T em tenda: alteração mais precoce
• Prolongamento do intervalo PR
• Onda P achatada
• Rtmo sinoventricular
• Alargamento do QRS e distúrbios de condução intraventricular
• Bloqueio atrioventricular (bloqueio AV de 2° ou 3° grau)
• Ritmo senóide, fibrilação ventricular ou assistolia.

A onda T em tenda refere-se às ondas T apiculadas e estreitas, conforme podemos ver no ECG anterior.
O ritmo sinoventricular é um ritmo onde as ondas P tornam-se imperceptíveis (perda das ondas P) porque devido a hipercalemia os átrios não sofrem despolarização. O estímulo tem origem no nó sinusal e seguem normalmente pelos feixes internodais até o nó AV. Inicialmente as ondas P tornam-se achatadas até ocorrer a ausência de P. É um ritmo que pode ser facilmente confundido com o ritmo juncional, já que neste último as ondas P podem estar escondidas no QRS, sendo assim imperceptíveis no traçado.
A hipercalemia pode ser causa de bradiarritmias. Às vezes o paciente com cardiopata, principalmente com insuficiência cardíaca e disfunção renal, em uso de inibidor de ECA ou bloqueador da aldosterona (BRA) associado a espirononolactona, são atendidos em unidades de emergência com bloqueios AV avançado secundários à hipercalemia, com escapes com frequência baixa e QRS largo, com risco de óbito.
Na hipercalemia extrema pode ser registrado o chamado ritmo senóide, que é resultado da superposição do QRS alargado com a onda T, sendo visível como uma ondulação que lembra a onda de pulso arterial normal vista no oxímetro digital.
Ocasionalmente a hipercalemia pode simular infarto agudo do miocárdio, pela presença de supradesnível de ST associado a ondas T amplas.
A hipercalemia severa com alterações mínimas no ECG é incomum, mas tem sido descrito.

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