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domingo, 6 de março de 2011

SUPRA DE ST EM AVR NA SÍNDROME CORONARIANA AGUDA SEM SUPRA DE ST

Algumas alterações eletrocardiográficas tem valor prognóstico na síndrome coronariana aguda sem supra de ST. Por exemplo, a presença de depressão do segmento ST e a magnitude da depressão está relacionada ao prognóstico, com aumento do risco conforme a intensidade do infra de ST. Mais recentemente a presença de supra de ST na derivação AVR tem sido valorizado como um marcador de eventos adversos e doença avançada, sendo preditor de lesão de tronco de coronária esquerda (TCE) ou de três vasos, principalmente quando o supra em AVR é persistente, isto é, não sofre resolução.
Por outro lado, um padrão de alteração descrito há algum tempo por Wellens et al é a presença de supra de AVR e/ou em V1, associado a depressão de ST em > 7 derivações. Este padrão é razoavelmente um bom preditor (75%) de lesão grave de TCE ou nos três vasos.
Lembro que o ECG na síndrome coronariana sem supra de ST mais comumente exibe alterações como ondas T invertidas ou depressão do segmento ST, ou apenas alterações inespecíficas e discretas em alguns casos. Ou pode se apresentar mesmo como normal. No Infarto Agudo (IAM) é incomum o ECG permanecer normal durante todo o seu curso; neste âmbito, o ECG normal constitui um marcador de bom prognóstico.
Destaco também que o infra de ST é valorizado quando >= 0,5 mm em duas ou mais derivações relacionadas e a onda T negativa tem maior significado quando simétrica e com amplitude de 2-3 mm, também em duas ou mais derivações relacionadas.
O supra de ST isoladamente não caracteriza a síndrome coronariana como "com supra de ST". Esta é caracterizada por supra de ST em duas ou mais derivações relacionadas. No infarto com supra de ST (IAM-CSST)), AVR habitualmente não apresenta alteração de ST ou exibe depressão de ST, dependendo da topografia do IAM.
Brevemente trataremos dos critérios eletrocardiográficos para a definição do IAM-CSST.

REFERÊNCIAS:
1.Wellens HJJ, Gorgels APM, Doevendans PA. The ECG in Acute Myocardial Infarction and Unstable Angina: Diagnosis and Risk Stratification. Boston, MA: Kluwer Academic Publishers, 2004.
2. Wagner GS, Macfarlane P, Wellens H, et al. AHA/ACCF/HRS recommendations for the standardization and interpretation of the electrocardiogram. Part VI: Acute Ischemia/Infarction. Circulation. 2009 Mar 17;119(10):e262-70.
2. Kosuge M, Ebina T, Hibi K, et al. ST-segment elevation resolution in lead aVR: a strong predictor of adverse outcomes in patients with non-ST-segment elevation acute coronary syndrome. Circ J. 2008 Jul;72(7):1047-53.

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